domingo, 28 de julho de 2019

I'm an Albatraoz - AronChupa

Há algum tempo não escrevo no blog porque fui "convidado" a não participar mais das terapias promovidas pelo "CAPS Adulto I Vila Prudente" e era justamente lá, na Terapia de Letras, onde eu desenvolvia os textos que posteriormente eram transcritos aqui. Estou recorrendo desse "convite", mas não é bem deste assunto que quero tratar neste tópico (talvez este assunto mereça um tópico próprio, em breve, ou talvez nem valha a pena discutir sobre a deficiência dos serviços públicos de saúde do Município de São Paulo).

Bem, infelizmente, já passei por 4 internações psiquiátricas algumas foram boas e outras nem tanto. Na primeira delas, por exemplo, sofri abusos sexuais por parte dos enfermeiros mas também não é este o tema deste tópico. O que ocorre é que em uma destas internações tínhamos sessões de musicoterapia que eram muito bacanas, em suma: liamos a letra da música e a ouvíamos em seguida entravamos em uma discussão sobre a letra da música (o que ela queria nos transmitir, se a música se encaixava de alguma forma em nossas vidas, etc).

Anteriormente já postei algumas letras de músicas neste blog, mas confesso que a preguiça tomou conta na hora de dissertar sobre ela. Mas prometo que, paulatinamente, vou retomar estas postagens e fazer a devida a análise (do meu ponto de vista, claro! Pois para você a mesma música poderá lhe transmitir outro entendimento/sentimento).

Como vocês devem saber, ou imaginar pelas postagens antigas, sou adicto mas a adicção não é meu problema primário: sofro de transtornos depressivos graves com sintomas psicóticos (CID F 32.3) mas já tive a "oportunidade" de ser considerado esquizoafetivo (CID F 25.1). Pelo que pesquisei na internet não há muita diferença entre estes CIDs, mas pelo que entendi o F 32.3 é aplicado nos casos em que o transtorno de humor (depressão, no meu caso) é mais aflorado que a esquizofrenia e no F 25.1 a esquizofrenia é a mais aflorada que o transtorno de humor.

Bem acho que já falei demais, vamos a análise da música?! Esta música, um tanto quanto pesada por seus palavrões, se encaixou perfeitamente ao que estava acontecendo em minha vida há pouco tempo. Estou em auxílio-doença e estou aproveitando este período exatamente ao propósito deste benefício, que é gozar em tempo integral para sua recuperação e restabelecimento uma vez que você se encontra incapaz de conciliar sua recuperação com o trabalho.

Faço terapia praticamente todos os dias da semana, frequento A.A. (Alcoólicos Anônimos) cinco vezes por semana, passo pelas consultas com psiquiatras e timidamente tenho frequentado alguns cultos religiosos (católicos, espíritas, evangélicos, umbanda) mas não quero e não posso assumir compromissos com religião nenhuma agora. Neste momento, meu foco é minha recuperação e assumir obrigações religiosas neste momento desviaria meu foco primordial que é reergue-me. Uma vez de pé, talvez eu me dedique a uma religião...

Mas e a música onde entra nesta história? Acontece que eu estava sofrendo com acusações infundadas, principalmente por parte da minha mãe, em que eu continuava (as escondidas) consumindo substâncias, só que desta vez consumia doses mínimas pra ninguém perceber.

Isso me deixava muito desanimado e triste, porque não enxergavam o quanto é difícil ficar longe do vício (em especial o álcool, que a oferta é muito grande e você encontra na esquina de casa). Sentia que minha força de vontade não estava sendo reconhecida, não que eu desejasse ser aplaudido por mais um dia sem consumir... mas fantasiar/inventar histórias sem eu dar motivos chegava a ser um assédio e/ou uma difamação e/ou injúria contra minha honra.

Até que chegou um dia que dei um basta! Aproveitei uma ocasião em que se encontravam minha avó, mãe e tios e desabafei: meti um "But fuck that little mouse!", lhes disse que respeitava a opinião de todos ali mas que se eles se sentiam mais confortados em pensar que eu continuava bebendo as escondidas tratava-se de um direito deles mas deixei bem claro que a opinião deles não iria mudar o fato de eu não ter consumido e, no fim das contas, o que contava era a minha consciência e não a deles: o que vale é eu saber que eu não consumi e isto basta. Para complementar, deixei bem claro que, se eu fosse me preocupar, com o que cada um pensa sobre mim eu iria morrer louco! O que conta é a minha consciência limpa e tranquila (eu sei o que fiz e o que não fiz, e não posso mentir para mim mesmo) e que daquele dia em diante o que eles pensavam sobre mim era problema deles e não mais meu, se eles são felizes acreditando que eu consumo as escondidas, pois que sejam felizes com este pensamento! Simplesmente, não me dói ou me importo mais...

Por fim, foi com o "aprendizado" desta música (convenhamos que não tão culto ou educado) que resolvi meu problema: "Dane-se a pequena rata, porque eu sou um Albatroz!"

"Mesdames et messieurs
S'il vous plaît
Soyez prêts pour
AronChupa et Albatraoz
C'est parti!

Let me tell you all a story
About a mouse named Lorry
Yeah Lorry was a mouse
In a big brown house
She called herself the hoe
With the money, money flow
But fuck that little mouse
'Cause I'm an Albatraoz

I'm an Albatraoz
So what?
I'm an Albatraoz

Yeah Lorry said she was a mouse
Smoked the cheese and light it out
Monely, money money hoe
Chinka, Chinka, Chinka, kablow
Lorry was a witch
Yeah a sneaky little bitch
So fuck that little mouse?
'Cause I'm an Albatraoz

I'm an Albatraoz
So what?!

Ram pampalam
Bambalam palam balam
Ram pampalam
Rampiloopidam
Ram pampalam
Ba baboom
Ooh I see ya
Ooh I see ya
Ooh I see ya

I'm an Albatraoz
So what?!
I'm an Albatraoz
So"

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